
Rosalie.
_Você é apenas uma prostituta de luxo, Rosalie... Qual dessa mísera conjunção de palavras você não entendeu? - Em silêncio deixou o vestido semi destruído resvalar pelo corpo dolorido enquanto o rosto mantinha-se impassível. Já agüentara coisas piores do que a pressão daqueles punhos sobre as costas brancas.
_ E lhe perdôo por esta atitude, pois ainda me deve e não quero que desperdice o dinheiro daqueles homens lá embaixo. - Travou da pequena bolsa, amassando-a entre os dedos crispados, ignorando a dor lancinante que parecia queimar-lhe as costas e observou-o se aproximar. Os lábios se vergaram em um leve sorriso e viu aquelas belas sobrancelhas se arquearem.
_ Está rindo, Rosalie? Estás rindo de mim? – aquele sussurro letal misturado à carícia áspera que ele fazia em seu rosto.
_ Não... Estou pensando no quanto você parece desesperado e estou me regozijando por isso... Ainda depende dessa simples prostituta de luxo para se safar...
E então, ele sorriu e aquele sorriso a desesperou mais do que os tapas anteriores. Doente. Louco.
- Apenas, faça o que quero, Rosalie... E manterei em bom estado de uso aquilo que precisa...- Ele a libertou e ela lançou-se em direção à porta, descendo as escadas da casa em uma corrida louca, sem se preocupar com os olhares de escárnio ou mesmo pena. A rua escura onde os carros luxuosos deixavam seus proprietários a recebeu e ela virou-se na direção oposta às luzes da cidade. Recostou-se contra a parede enegrecida e úmida da rua solitária onde o único ser vivente era ela e então, as lágrimas copiosas rolaram pela face deixando seu rastro luminoso.
‘- Apenas, faça o que quero, Rosalie... E manterei em bom estado de uso aquilo que precisa...
O tremor desesperado fez o coração faltar em um compasso. Quando aquela sua mísera vida ia simplesmente acabar-se? Quando ia simplesmente deixar de ser Mary Lou? Rosalie? Ou qualquer outro maldito nome? E então, o palavreado rude vindo das sombras a deixou alerta. Três. Capas negras arrastando-se pelo chão enlameado. Os olhos azuis voltaram-se para o outro extremo da rua onde mais um aparecera. Estava perdida. Talvez o demônio houvesse resolvido atender-lhe o pedido. Não, não! A voz gritou no fundo de sua mente. Assim não. Agora, não... Mas, os céus não a ouviam há tempos... Deus a esquecera naquela porta de orfanato.
- Uma boneca perdida, Steve... – a voz fez subir por seu corpo a repulsa imediata e ela tocou com a ponta dos dedos a pequena faca de abrir cartas. Ganhara de Jennie. E possivelmente lhe abriria as portas do inferno. Doce Jennie. Não poderia cumprir com o dever que lhe fora incumbido.
- Perdoe-me, minha querida... – sussurrou com os olhos fixos nas sombras que agora se tornavam assustadoramente reais.
Sentiu o toque nos braços nus. O estômago revirou ao imaginar para o que seria usada e chegou a desejar os punhos de Edward. Logo se viu cercada pelo bando e deixou a pequena bolsa cair ao chão. A faca pequena e sem corte brilhou em sua mão e o riso dos homens fez o fogo interno do ódio faiscar de seus olhos por entre as mechas do cabelo louro. Ergueu a mão e lançou-se contra o mais próximo e então, antes que completasse o movimento sentiu os braços serem vergados para trás com força. O bafo quente e fétido em seu pescoço a fez contrair-se.
- Vai desejar a morte antes de acabar, pequena... – ouviu e teve certeza de que a afirmação era correta.
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